segunda-feira, maio 31, 2004

Eu macho, tu machas... - para quando o fim?

Hoje de manhã, quando acordei, dei um pulo ao Cacaoccino, como usualmente faço, e deparei-me com um post que me deixou entre o perplexo e o solenemente irritado. O machismo exacerbado ao seu expoente máximo é, no mínimo, degradante, insultuoso à dignidade humana... enfim. Esta cultura do sexismo, ainda enraízada na (a)cultura portuguesa, é um dos sinais mais evidentes de como ainda nos falta percorrer um longo caminho para a tomada de consciência da plenitude do ser humano.

Ainda este Sábado assisti a cenas semelhantes às descritas pela Sara, numa reportagem que passou na SicNotícias sobre a cultura do sexismo em Espanha. Enquanto uma repórter se passeava pela rua, numa zona de construção civil, podiam ouvir-se dos mais comuns piropos às maiores obscenidades. Quando duas mulheres andavam à procura de trabalho na construção civil era frequente ouvir-se o responsável pela obra dizer que aquilo não era um serviço para mulheres, que exigia muito esforço físico; os outros, que diziam que não tinha nada a ver com o trabalho árduo em si, argumentavam que não se podiam responsabilizar pelo que viesse a acontecer durante o horário de expediente, que os homens iriam ficar "perturbados" [o homem essa besta sedenta de sexo...]. Durante uma partida de futebol arbitrada por uma mulher, cantavam-se "hinos à procriação" [não sei se o eufemismo é a melhor figura de estilo a utilizar aqui]...

Mas mesmo assim, de tudo isto, aquilo que mais me comoveu foi um senhor, nos seus 40-50 anos que dizia convictamente:

"Eu não sou machista nem nada dessas coisas - mas uma mulher serve para a queca e para tratar dos filhos... e algumas nem para a queca servem"

Hoje é dia 31 de Maio de 2004. Sim. Estamos no tão esperado século XXI.

sexta-feira, maio 28, 2004

(ir)Realidades 2

O silêncio percorre brutalmente a minha pele
Vai preenchendo os vazios
Com um arrepio de prazer,
Uma vertigem de orgasmo
[Esse espasmo de alucinação]

Nuno M. Tenazinha

quarta-feira, maio 26, 2004

N'os "Olhos Desfiados"


"Desfiar-se não é sinónimo de rasgar-se. O desfiar é mais meticuloso, é com a ponta dos dedos, sabendo por onde vai passar o corte, sabendo a medida concreta de cada troço que fica. Sabiam que um manequim sem olhos de vidro acredita estar cego? Sabiam que um manequim sem braço pode tocar-vos?"

Tive a oportunidade de assistir ontem, no Teatro Maria Matos, a uma apresentação do FATAL (Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa), mais concretamente à apresentação da peça "Olhos Desfiados" do GTIST (Grupo de Teatro do IST). Esta peça reavivou em mim muito do que vivi durante os 3 anos em que fiz teatro (ultimamente tenho andado muito nostálgico...). Presenciar a estética e a expressão das personagens naquele universo metafórico, naquela sala que [infelizmente] estava semi preenchida, foi uma experiência bastante agradável. A cena em que dois manequins simulam gemidos de prazer sexual em várias línguas é deveras hilariante (!!!). E o grupo de jovens (nos seus 13 , 14 nos) que estava atrás de nós e que não escondia os risinhos perante o manequim nú de luvas verdes, comentando por vezes: "Ele vai ficar teso, ele vai ficar teso..." (LOL)

O GTIST está de parabéns!

"Mas o pior não é ter os olhos desfiados, o pior é não ter sexo, o sexo para eles é como uma montanha, uniforme, brilhante, envernizado, lustroso, sem saídas nem entradas."

+info: GTIST

sexta-feira, maio 21, 2004

Sankai Juku no CCB - 29 e 30 de Maio

Sankai Juku
"Hibiki, Resonance From Far Away"

29 e 30 Maio
21h
Grande Auditorio CCB

"A glória singular do Sankai Juku é que quase toca a metáfora pura" - Jay Cocks, Time


Ok. O blog está a tornar-se cada vez mais num motor de divulgação daquilo que actualmente me move a sair de casa para me reencontrar com o universo das artes. Enquanto não tenho tempo de escrever uns posts que tenho guardados desde há algum tempo, aproveito para vos convidar a ir ao CCB nos próximos dias 29 e 30 de Maio. É que vai estar em palco um tipo de trabalho teatral que nunca tive o prazer de assistir mas que já li alguma coisa que me despertou a atenção. É o Butoh - uma simbiose entre a dança contemporânea e as tradições teatrais japonesas com raízes no Noh. Não adianto mais. Fica a sinopse:

"Fundada por Ushio Amagatsu, o trabalho desta companhia caracteriza-se pela contaminação do Butô com a dança contemporânea ocidental. Tecnicamente, e segundo as palavras de Amagatsu, a dança contemporânea desafia as leis da gravidade enquanto ele, como criador, entra em harmonia com elas.

O Butô é uma nova forma de dança-teatro japonesa que se desenvolveu nos anos 60 como expressão da consciência humanitária de uma geração do pós guerra.

Sankai Juku e o seu director Ushio Amagatsu fazem parte da segunda geração do Butô.

O Butô é sempre intenso, é uma dança das trevas mas, no trabalho de Amagatsu, há sempre um elemento pacificador. As suas obras incluem as tensões convencionais do Butô envoltas numa espécie de paralisia emocional."



+info: Centro Cultural de Belém

quinta-feira, maio 20, 2004

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sábado, maio 15, 2004

"L'Unique Trait de Pinceau"


Encontrei na Chiado BookShow (que está a decorrer agora nos Armazéns do Chiado) um livro de Fabienne Verdier, artista estudiosa da imagética oriental e dedicada à pintura e ao Shoudo (caligrafia chino-japonesa) - para quem não está por dentro do assunto, a caligrafia oriental é considerada uma das mais sublimes formas de arte.


O livro está muito bem conseguido (para os amantes do Shoudo) com vários kanji (ideogramas) pintados em hanshi(um tipo de papel utilizado na prática) e apresentando uma descrição ilustrada dos vários estilos de caligrafia. Ao longo das páginas encontram ainda uma série de citações de antigos filósofos e monges chineses e japoneses - a dimensão da estética "Zen" fica assim também demarcada nesta obra de arte.


"N'est-ce pas plutôt louvre des metamorphoses du souffle cosmique?"


Yuan Mei, poeta chinês

quinta-feira, maio 13, 2004

Do Amor e do Tempo

Foi no dia 5 de Maio de 2002 que a minha vida veio dar uma volta inesperada. E tudo por causa de uma SMS. Um número de telemóvel miraculosamente conseguido. E uma SMS. Foi a partir desse dia que o meu Amor por ti foi cultivado, germinou e deu belos frutos. Há dois anos atrás eu não imaginaria sequer o que me esperava, a imensidão de experiências por que passaria, o desafio que seria desvendar os teus segredos, perscrutar o mais ínfimo recanto de ti... és sem dúvida alguma a pessoa mais bela que conheci até hoje. E eu Amo-te desde o mais subtil gemido até ao limite do nosso Universo recriado.

"Amar,
é e x p l o d i r e m t o d a s a s d i r e c ç õ e s,
[a_simetria de dois corações]
"

Nuno

terça-feira, maio 11, 2004

Sugestão para 12 e 13 de Maio



Admito que não conheço muito de Joaquín Cortés. Mas já há algum tempo que tinha interesse em ver qualquer coisa. E os cartazes que têm estado espalhados por Lisboa deixaram-me deveras interessado em ir ver o senhor. Vai ser nos dias 12 e 13 de Maio, no Coliseu dos Recreios - o único senão é o preço mesmo... finanças de estudante universitário... enfim...

+ info: Coliseu dos Recreios

domingo, maio 09, 2004

Mais uma vez Nightwish

Ofereceram-me ontem o single "Nemo" com algumas músicas do novo CD "Once" da banda finlandesa que já aqui mencionei inúmeras vezes, Nightwish. O meu único comentário que me ocorre e que faz jus à sonoridade deste album é: GENIAL!

"Once" tem a capacidade de me deixar colado do ínicio ao fim à voz da Tarja e do Marco, à grandeza da orquestra e dos corais, às guitarras arrojadas do Emppu, aos ritmos do Jukka e às letras sempre fascinantes de Tuomas Holopainen. "Dark Chest of Wonders", "I Wish I Had An Angel", "Nemo", "Planet Hell", "Creek Mary's Blood", "The Siren", "Dead Gardens", "Romanticide", "Ghost Love Score", "Kuolema Tekee Taiteilijan" e "Higher Than Hope" são as onze obras de arte que vão ser lançadas quando sair a versão oficial do album.

Ficam ainda aqui algumas imagens do videoclip que acompanha o primeiro single "Nemo":



"This is me for forever, one of the lost ones, the one without a name..."
"Once and for all, and all for once... Nemo, my name forever more"

sábado, maio 08, 2004

Era uma vez eu

Era dia 8 de Maio de 1983. Algures numa sala do Hospital de Serpa, em pleno Alentejo.

E de repente.
Um choro ecoando por entre as planícies.

E eu tinha nascido.

domingo, maio 02, 2004

Introdução

O Post abaixo tem um dos melhores momentos que me lembro de um jogo. Depois de uma semana a batalhar com 2 CDs de PSX e vencer de forma inesperada o confronto final, sou presenteado com este epílogo, sobre uma imagem do planeta Terra...

sábado, maio 01, 2004

Children of Lavos

I have been waiting an eternity
just for this very moment.

Meaninglessly hurting one another...
The disappearing life-forms...
The words that become delted...
The thoughts that become buried...
The pool of cells that slowly evaporate...
The echoes of consciousness that slowly fade.

Love to hate. Hate to love. Why are we born?
Why do we die? Evolution? The "survival of the fittest?"
What is there to be achieved from harming one another.
Killing one another...

The "eggs" that we call planets. And the innumerable "spermatoza" which gather around these that we call life-forms... When one of those countless seeds inseminates a planet, a new universe is born. But until that occurs, hundreds of millions of years will pass, and innumerable life-forms will be born, then die... That is the be-all and end-all. Everything exists for that one moment. All so that the universe can evolve into the next dimension. Does that make us all just pawns? Are each of our short lives nothing but a cheap sacrifice just so the one chosen life-form can be born? [...]

Genes and enviroment... Each of us tries to do his best under the limited conditions we are each dealt. Each life-form that attempts to eke out a decent life for itself forms a link in the golden chain that leads to the creation of a new universe. If one link is missing, there will be no future. There is no such thing as a useless life-form... No such thing as a pawn! Every single thing in the whole of nature is perhaps just dreaming a dream of "life"... All of them are also perhaps nothing more than a dream dreamt by the planet before it is born.

Oh, but yes...
Eventually all dreams will return to Zurvan...
to the sea of dreams...

Schala in "Chrono Cross"